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Uruguaiana e São Luiz Gonzaga devem receber investimento em ferrovias

Estudos estão em curso para retomar as atividades ferroviárias nos ramais dos municípios de Uruguaiana e São Luiz Gonzaga. A proposta é da empresa Rumo, que busca condições de aportar os investimentos que já estão alocados e previstos para a região. Para efetivar o projeto, a empresa aguarda a antecipação da renovação do contrato de concessão, o que viabilizaria o retorno dos investimentos no longo prazo. A expectativa foi destacada pelo vice-presidente da Rumo Logística, Daniel Rockenbach, durante a 1° Jornada Técnica da Rede Técnica Cooperativa (RTC), realizada em junho em Gramado.

Além dos ramais que poderiam voltar à atividade, os investimentos previstos compreendem toda operação em termos de via e também equipamentos, como locomotivas e vagões, na busca de melhorar a eficiência para aumentar os volumes transportados e, com isto, participar mais competitivamente da logística no Rio Grande do Sul. Também ressaltou a importância da instituição de parcerias no sentido de que outras empresas façam investimentos em terminais ferroviários de carga e descarga, já que o RS está muito defasado neste quesito, o que também contribui para a morosidade deste modal logístico.

O representante da Rumo afirmou que está em negociação com a CCGL para a construção de um terminal rodoferroviário de grande porte em Cruz Alta e a ampliação das operações de descarga no porto de Rio Grande através da expansão do terminal Termasa SA, em tramitação com os órgãos governamentais responsáveis. Tal investimento transformaria o eixo Cruz Alta-Rio Grande em um trecho de grande movimento e eficiência, proporcionando, inclusive, outras ligações acessórias através de “short lines” com outras localidades, um modelo muito usado nos Estados Unidos onde operadores menores conseguem viabilizar trechos secundários. "Essa ampliação é fundamental para o Rio Grande do Sul", opinou Rockenbach.

Nesse cenário, para o Estado, Rockenbach afirmou que a projeção da Rumo é investir R$ 5,5 bilhões em 10 anos. Nos últimos quatro anos, foram R$ 2,6 bilhões investidos na Região Sul. Segundo o diretor superintendente da CCGL, Guilherme Dawson Jr, o Estado tem forte potencial para expansão de volume em regiões com vocação ferroviária e baixo volume transportado. "O que a gente tem é sobra de capacidade", pontuou. Nesse sentido, Rockenbach ainda apresentou dados levantados pela Rumo de que, no RS, apenas 25% das cargas que chegam ao Porto de Rio Grande vêm por meio de ferrovias. Dos 18 terminais gaúchos, só dois conseguem carregar até 30 vagões por dia.

Previsão de frustração de safra nos EUA impulsiona mercado de grãos no Brasil

O cenário para a produção brasileira de soja e milho ganhou novo gás nas últimas semanas com anúncio de previsão de frustração significativa na safra norte-americana. Segundo o consultor da Agroconsult, André Pessôa, isso deve estimular o cultivo no verão 2019/2020 e aquecer a comercialização por parte de quem ainda tem grãos estocados à venda. “Mesmo que os Estados Unidos consigam concluir o plantio nas próximas semanas, vai estar fora do calendário ideal principalmente quando se fala do milho. Então já podemos dizer que haverá redução de potencial produtivo”, afirmou o especialista na manhã de sexta-feira (7/6), em painel durante a programação da 1ª Jornada da Rede Técnica Cooperativa (RTC), em Gramado. O painel foi moderado pelo presidente da FecoAgro/RS, Paulo Pires.

A informação, alerta ele, criou uma expectativa de margens de rentabilidade mais folgadas para a soja na próxima safra brasileira e abriu uma perspectiva muito positiva para o milho. “Há previsão de o Brasil vir a exportar grandes volume neste e no próximo ano com números que geram rentabilidade muito positiva tanto para o produtor que trabalha com a safra de verão no Sul quanto para quem se dedica à safrinha no Brasil Central”. A projeção, informa Pessôa, é de expansão de 1% a 2% (500 mil hectares) na área cultivada de soja. No caso do milho, estima reversão da tendência inicial de redução de área e, inclusive, um pequeno crescimento entre 1% e 2% no cultivo de verão e de 7% a 10% na safrinha.

Atualmente, entre 65% e 70% da safra brasileira de soja já foi negociada. O Rio Grande do Sul, especificamente, está bastante atrasado, com taxas de comercialização na casa dos 50%. “Com os preços bons das últimas semanas, deslanchou um pouco o processo de venda, mas ainda falta metade da safra. O que os produtores não podem perder é as oportunidades que o mercado tem dado: às vezes é o câmbio que sobe um pouco, às vezes é a Bolsa de Chicago que reage em virtude das condições climáticas que podem afetar a safra”, disse, recomendando que os agricultores aproveitem esses eventos para negociar a produção aos poucos.

Questionado sobre recomendações para quem ainda tem a safra em mãos, disse que a situação depende de cada caso. “Quem já vendeu bastante, pode se dar ao luxo de esperar para ver como vai ficar a questão do clima nos Estados Unidos nas próximas semanas. Quem vendeu pouco deveria aproveitar e subir um pouco a média de comercialização”, aconselhou. Pessôa alertou que o risco ainda é grande principalmente devido à Guerra Comercial entre China e EUA. “A China sempre foi o grande cliente internacional. Agora, em função dessa guerra, tem usado cada vez mais o Brasil e a Argentina como fonte de abastecimento”. Mas alerta para os riscos da concentração de vendas para o país oriental, uma vez que mais de 80% da exportação hoje está focada na China. Até então, trabalhava-se com 70%. “No dia que eles fizerem um acordo novamente com os americanos, aqueles clientes que, eventualmente, estamos deixando de abastecer agora para socorrer os chineses, podem não estar tão felizes conosco”. E recomendou que o Brasil comece a pensar em atender novos mercados, um movimento que pode ser puxado pelas cooperativas, sugeriu.

A opinião de Pessôa reafirmou a fala do assessor da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura (Mapa), Rafael Requião, durante o painel. Como a China é o maior país de destino da soja, comprando a média de 35 bilhões de toneladas por ano, Requião julga preocupante a dependência de um país para manter o nível de exportações. "Isso nos obriga a agir de maneira pragmática. É um privilégio, mas depende de muito cuidado", pontuou.

Foto: Carolina Jardine

Inteligência artificial ajuda produtor na tomada de decisões no campo

O processamento de dados em uma plataforma de inteligência artificial deve ser um dos caminhos para qualificar a tomada de decisões nas propriedades rurais. Com o aumento no uso de sensores e de captação de dados sobre solo, clima e o cultivo, cresce a busca por ferramentas que auxiliam o agricultor a enxergar cruzamento de dados diferenciados e que ajudem a antecipar ações preventivas e corrigir rotas antes que os danos à lavoura aconteçam. A tendência foi apresentada pelo executivo Watson na IBM Guilherme Araújo, durante palestra na 1ª Jornada da RTC, na sexta-feira (7/6). Ele citou o exemplo de sistemas que alimentados com um grande número de dados e “ensinados” por um profissional possam intervir com medidas corretivas ao primeiro sinal de alerta.

Isso, garante ele, não significa a exclusão do uso de técnicos a campo. O especialista defende uma parceria entre máquinas e seres humanos como forma de captar grande volume de informações de forma mais assertiva e inovar no âmbito das ideias. Até porque serão os humanos - seres dotados de empatia, dilemas e do tão valorizado feeling - os responsáveis por ensinar os sistemas. “A disrupção traz novas ideias. Hoje temos sistemas de inteligência artificial que entendem, raciocinam, aprendem e interagem com as pessoas”, detalhou. O mesmo, garante ele, pode ser feito com as plantas. Para exemplificar, citou recente pesquisa realizada em parceria com a Cargill para otimizar a colheita do cacau. “Treinamos o sistema para indicar as peças maduras, e a colheita era feita por drones. Essa automação traz uma produtividade absurda porque permite colher exatamente aquilo que precisa ser colhido”.

Araújo ainda falou sobre como os sistemas podem auxiliar na rastreabilidade dos produtos agropecuários, uma tendência em um mercado cada vez mais exigente quanto ao controle de origem e sistemas de produção. “As pessoas querem produtos com qualidade e que tenham dados sobre as práticas agrícolas utilizadas durante sua produção”, mencionou. Um dos exemplos que Araújo citou foi o sistema utilizado pela BRF e pela rede varejista Carrefour que levou apenas seis semanas para ficar pronto. O projeto rastreia a carne suína desde o nascimento do animal até a chegada da carne à gôndola e todas as informações podem ser acessadas pelo consumidor por meio de um QR Code na embalagem. “O agronegócio vai se transformar de uma forma inimaginável, e só vai existir benefícios nisso", finalizou. O painel foi mediado pelo coordenador de pesquisa da CCGL e coordenador da Rede Técnica Cooperativa (RTC), Geomar Corassa.

Foto: Vitorya Paulo

Brasil pesquisa novas variedades de transgênicos

Vinte e um anos depois de ser introduzida no Brasil, a biotecnologia abre inúmeras possibilidades para a produção agrícola nacional. Além da já consolidada soja RR e das 130 liberações comerciais concedidas no país, novas cultivares devem chegar ao mercado para revolucionar os processos, do campo à cidade. Uma das novidades que deve sair do forno em breve, adianta o pesquisador da Embrapa Soja e conselheiro da CTNBio Alexandre Nepomuceno, é uma nova variedade de soja com resistência ao fungo da ferrugem asiática. E apresentou diversas outras novidades que estão em pesquisa, como variedades de soja resistentes à seca que estão sendo testadas pela Embrapa e até plantas capazes de identificar presença de minas subterrâneas por meio de alterações em sua coloração.

O pesquisador ainda citou a liberação pela CTNBio de pesquisa inédita para uso de insetos transgênicos em lavouras, como a alteração no gene da lagarta do cartucho para reduzir perdas no milho. A ideia, explica ele, é semelhante a já aprovada para o controle do mosquito Aedes aegypti, que, por meio de introdução de um gene, garantiu esterilização de insetos e redução de população de mosquitos transmissores de doenças como dengue e chikungunya.

Nos últimos 28 anos, a produção de grãos no Brasil aumentou cinco vezes enquanto a área teve expansão de apenas 3 vezes.  Contudo, esse resultado não foi revertido em investimentos de pesquisa. Nos Estados Unidos, existe uma lei chamada Check-Off, que prevê  que 0,5% do valor de cada saca colhida seja revertido para um fundo de pesquisa. Se ela fosse aplicada no Brasil, estimou ele, na safra 2017/2018 haveria um aporte em Pesquisa e Desenvolvimento de R$ 892 milhões. Ele citou a importância de o país ter políticas de maior estímulo às mentes que fazem todo esse desenvolvimento e reter esses talentos e os lucros de todo esse processo. O pesquisador da Embrapa Soja citou que diversos países estão trabalhando na formação de bancos de dados genômicos, um trabalho que ainda engatinha no Brasil. Na China, cita ele, já se sequenciou o DNA da mandioca, produto originário na flora brasileira.

O painel foi moderado pelo professor da Ufrgs Luiz Carlos Federizzi, que relembrou os caminhos percorridos pela biotecnologia no Brasil até a atualidade. Segundo ele, o desenvolvimento ao longo desses mais de 20 anos ficou um pouco abaixo da expectativa inicial, uma vez que se limitou a apenas quatro espécies.  Nepomuceno completou lembrando a polêmica criada no Brasil sobre o uso dos transgênicos no final da década de 1990 foi, na verdade, um grande jogo de interesses. “Muita gente perdeu dinheiro. Despencou a venda de outros herbicidas que acabaram substituídos pelo Roundup Ready”, afirma.

Brasil tem primeiras plantas com genes editados e considerados não-transgênicos

O Brasil está iniciando pesquisas com variedades agrícolas com genes editados para fazer plantas mais tolerantes a estresses do ambiente e mais produtivas. A informação foi divulgada pelo pesquisador da Embrapa Soja e conselheiro da CTNBio Alexandre Nepomuceno, durante palestra realizada na tarde desta quinta-feira (6/6), na 1ª Jornada da Rede Técnica Cooperativa (RTC), em Gramado. Segundo ele, essa é uma tendência e já está em teste com variedade de milho no Brasil.

Uma outra tecnologia que poderá revolucionar o agronegócio é o uso do RNAi, o chamado RNA interferente. É um mecanismo natural para desativar áreas do DNA. Inicialmente, o grande desafio era sequenciar esse RNA em laboratório. Recentes pesquisas conseguiram realizar isso e já se estuda o uso de substâncias capazes de serem aplicadas por aspersores para desativar genes indesejáveis nas plantas e controlar pragas e doenças. O RNAi está na sua infância mas tem o potencial para substituir, no futuro, inseticidas, fungicidas e herbicidas, pois é uma tecnologia que permite que somente genes específicos da espécie-alvo sejam desligados.


Crédito: Vitorya Paulo

Integração lavoura-pecuária aumenta produtividade e beneficia qualidade do solo

Se todas as áreas de lavoura do Brasil usassem o sistema de integração lavoura-pecuária, necessitaríamos apenas do equivalente a 4,44% do total dos hectares para manter a mesma produção agropecuária. O estudo é da Rede ILPF, da Embrapa, e foi destacado por Paulo Carvalho, doutor em Zootecnia e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) durante palestra na 1ª Jornada Técnica da Rede Técnica Cooperativa (RTC). A apresentação sobre os benefícios do sistema que integra pecuária e agricultura ocorreu na tarde desta quinta-feira (6/6), em Gramado (RS), com moderação do agrônomo e supervisor técnico da CCGL Luís Otávio da Costa Lima.

Carvalho apresentou pesquisas desenvolvidas pelo grupo Aliança SIPA, coordenada pelo Grupo de Pesquisa em Sistema Integrado de Produção Agropecuária (GPSIPA) da Ufrgs. Um dos dados apresentados foi do estudo realizado desde 2001 em São Miguel das Missões, que se trata de uma comparação de produção de soja nos sistemas com e sem integração. A conclusão da pesquisa marcou 49 sacas por hectare no sistema sem pastejo. Já com pastejo moderado, a produção cresceu para 76. “A pecuária traz estabilidade para o sistema”, afirmou o pesquisador.

Além do aumento na produção das culturas, Carvalho explicou os benefícios para o solo que a integração lavoura-pecuária propicia, como o aumento de raízes das plantas e a regulação do nível de acidez. “O animal impõe heterogeneidade e novas rotas de fluxo de nutrientes”, destacou. O pesquisador ainda abordou o temor de produtores em aderir ao sistema, o que chamou de “lenda do casco”. Afirmou que gado não prejudica as lavouras, desde que o pasto utilizado seja correto. “Gado e pastagem maximizam produção e reduzem o impacto ambiental das lavouras”.

Após a palestra de Carvalho, o consultor Wagner Beskow falou sobre o uso de dinâmicas de sistemas e como usar gestão eficiente para compreender e solucionar problemas. “É uma forma eficaz para entender o comportamento de sistemas complexos”. Beskow ainda falou sobre o Sistema Intensivo a Pasto com Suplementação (Sips) e as vantagens para gerir o tambo, com aumento da produção das vacas e elevação da rentabilidade.


Crédito foto: Carolina Jardine 

Governo sinaliza com inclusão de cooperativas no Programa de Biodiesel

O secretário da Agricultura Familiar e Cooperativismo do Ministério da Agricultura (Mapa), Fernando Schwanke, garantiu que a ministra Tereza Cristina deve encaminhar, em breve, nova regulamentação para as cooperativas no Programa de Biodiesel, respeitando a proporção de agricultores familiares de seus quadros. Atualmente, cooperativas que têm menos de 60% de seus cooperados enquadrados como agricultores familiares estão totalmente fora do programa e o objetivo é que todos os produtores dapianos (aqueles que possuem DAP) possam se beneficiar do programa. A declaração foi dada durante painel na noite desta quinta-feira (06/06) durante a 1ª Jornada da Rede Técnica Cooperativa (RTC), em Gramado (RS). “Este é um pleito antigo do setor cooperativista”, reforçou.

Schwanke ainda informou que deve sair, dentro de 15 dias, ajuste que permitirá que cooperativas centrais, como a CCGL, possam também acessar os programas da Agricultura Familiar, desde que atinjam a proporção de agricultores com declaração da agricultura familiar, o qual será o mesmo exigido das cooperativas singulares. Atualmente, as cooperativas centrais só podem ter DAP jurídica se 100% das filiadas estiverem habilitadas, o que torna esse acesso praticamente inatingível. “A nota técnica já está sendo feita”, informou.

Segundo Schwanke, outro projeto em construção junto ao Ministério da Agricultura é o Intercooperação, que consiste em unir esforços e estimular a colaboração entre as cooperativas de Sul a Norte do Brasil. O projeto será implementado com apoio a Organização da Cooperativas Brasileiras (OCB) e terá recursos do Mapa para custear o deslocamento de treinamento pelo país. Schwanke informa que a meta é colocar o programa em funcionamento no segundo semestre deste ano e que a contratação dos interessados em prestar esse serviço de treinamento será feita por meio de editais públicos. “O ministério dará suporte aos projeto arcando com diárias, passagens em um método que ainda está sendo construído”. Com isso, espera-se levar a novos projetos a expertise de outros já consolidados. “Queremos um intercâmbio de boas práticas cooperativas”, disse ele.

Sobre o projeto de integração das áreas técnicas das cooperativas gaúchas proposto pela RTC e apresentado em Gramado, ele pontuou ser uma ação interessante a ser analisada dentro do propósito de criar novos sistemas de prestação de serviço de assistência técnica no país. “Hoje, a assistência técnica pública atende a apenas 20% dos produtores. Ou encontramos outros modelos ou muita gente vai acabar saindo da atividade por falta desse serviço”, ressaltou. Ao falar sobre o Plano Safra 2019/2020, garantiu foco nos médios produtores rurais, segmento que, segundo ele, é um hiato produtivo que temos há anos, que concentra 20% da área cultivada do país e carece de atenção. O aporte de recursos para a próxima safra deve ser anunciado nas próximas semanas.

O painel ainda contou com o presidente da Frente Parlamentar de Apoio ao Cooperativismo do RS (Frencoop/RS), deputado Elton Weber, que, representando a Assembleia Legislativa, pontuou a relevância de maior participação do setor cooperativo na política nacional. “Temos que falar de política porque o pilar do desenvolvimento está no cooperativismo. Não acredito que se possa construir a sociedade sem participação. Esse encontro aqui hoje é política cooperativista”, disse o parlamentar que tem sua origem ligado ao movimento e à agricultura familiar. Weber cobrou a necessidade de reformas estruturantes como a da Previdência, mas alertou que o projeto inicial do governo Bolsonaro precisa ser discutido e melhorado. “Precisamos fazer o debate. A reforma precisa acontecer e ser votada ainda este ano, mas precisamos calibrar esse tema. E isso é fazer política”. A ação dos líderes cooperativista no cenário nacional também deu o tom do discurso do presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Márcio Lopes de Freitas, que lembrou sobre seus primeiros ensaios em trazer a política para dentro dos debates do setor cooperativista, quando ainda trabalhava ao lado do pai. “Convenci meu pai que não era uma questão de ter ideologia na cooperativa, mas de ajudar a ter representantes atuando pelo setor”, disse, lembrando que o Brasil tem 7,8 mil cooperativas que faturam R$ 450 bilhões ao ano. “Somos uma massa econômica e uma massa social fundamental. Não temos como não ter uma representação política e buscar nossos direitos “

Mediando a mesa, o presidente da CCGL, Caio Vianna, reforçou que o setor produtivo precisa de apoio de políticas públicas que facilitem a atividade do setor privado, e não o contrário, com ações que venham para burocratizar, atrapalhar e atrasar os investimentos que o país tanto precisa, mas também tem o dever de cumprir com seu papel nos setores que são originalmente de sua competência como educação, segurança pública e saúde. “Às vezes se pensa que tudo depende do governo, mas aqui percebemos que há muito ainda o que fazer dentro da porteira, muito a se fazer após a porteira, evoluir em nossas cooperativas, mas sempre pensando em crescimento sistêmico. O poder público tem é que permitir que façamos os nossos projetos”, salientou. Vianna ainda citou a alta tributação incidente sobe o setor e a falta de investimentos em infraestrutura ou desregulamentação para o setor privado fazê-los que permitam ao produtor rural escoar sua produção com eficiência e rentabilidade.


Crédito: Vitorya Paulo

Sistema de plantio direto merece atenção nas lavouras brasileiras

Em 25 anos, o sistema de plantio direto no Brasil atingiu 35,5 milhões de hectares, entre 1995 e 2015. Porém, na opinião do doutor em solos e nutrição José Carlos Moraes de Sá, engenheiro agrônomo, apenas 10 a 15% dessas áreas realizam um sistema de plantio direto seguindo todos os seus preceitos. A recuperação desse sistema nas lavouras do país de maneira sustentável foi o tema do primeiro painel dessa quinta-feira (06/6) na 1ª Jornada Técnica da Rede Técnica Cooperativa (RTC), que ocorre em Gramado (RS) até sexta-feira (7). O painel foi moderado pelo engenheiro agrônomo José Ruedell.

Segundo Moraes, o manejo correto do solo é primordial para manter os fluxos adequados de água, ar e nutrientes do solo capazes de atender as demandas dos cultivos. “Solo 100% coberto proporciona maior atividade”, afirmou sobre a cobertura com palha. Prova disso é a pesquisa sobre a cultura da soja que, quando semeada em áreas em que o milho foi utilizado no sistema de rotação, tem seu rendimento incrementado de 500 a 1600kg por hectare. Conforme ressaltou o pesquisador, a palha da cultura anterior, fonte de carbono e nutrientes, é essencial para manter o equilíbrio do solo e garantir a rentabilidade do sistema de produção. “Precisamos de oito a 12 toneladas por hectare de palha anualmente para manter um sistema equilibrado”, pontuou.

Uma das maneiras de garantir a saúde do solo, nesse sentido, é o que Moraes chamou de “rotação de raízes”. Para ele, é fundamental observar o tipo de raiz das espécies cultivadas, pois elas determinarão aspectos importantes para o aumento da qualidade do solo. “Cerca de 60% do carbono que vai se acumulando no solo vem das raízes”, exemplificou.

A preocupação com as raízes também foi destacada por Antônio Luis Santi, doutor em ciência do solo e agricultura de precisão, que ministrou palestra na segunda parte do painel. “Mais importante que implantar uma espécie, é saber que espécie devo plantar e o porquê”, alertou. Durante a apresentação, Santi expôs fotos de duas espigas de milho, oriundas de plantas cultivadas a 150 metros de distância e que apresentavam características muito diferentes entre si. Esse exemplo, para Santi, é a prova de que é necessário investir em tecnologias capazes de corrigir a variabilidade das lavouras. “A digitalização da agricultura é inevitável”, pontuou, destacando que não existe milagre na agricultura e que nenhuma tecnologia corrige erros de manejo. “Temos a obrigação de fazer o básico bem feito. Lavoura sem palha não merece receber tecnologia alguma”, finalizou.

Crédito: Carolina Jardine

Livro que reúne três décadas de pesquisa é lançado na Jornada RTC

O livro “Resultados comparativos de 32 anos dos sistemas de plantio direto e convencional” foi lançado durante a 1ª Jornada da Rede Técnica Cooperativa (RTC), na manhã dessa quinta-feira (6/6), em Gramado (RS). A obra, assinada por diversos pesquisadores da área agrícola, é composta por uma série de capítulos que reúnem resultados de estudos desenvolvidos por três décadas.
Segundo engenheiro agrônomo José Ruedell, o trabalho, idealizado na década de 1980, consistia em simular o que os agricultores estavam realizando no sistema convencional e projetar o que poderia ser feito para melhorar os resultados com o plantio direto. Dessa forma, os estudos comparavam, lado a lado, o sistema de plantio direto com rotações de culturas diversificadas x plantio convencional com o intuito de gerar resultados e incentivar a adoção do sistema. “Nesses 32 anos, conseguimos desenvolver dezenas de resultados e fornecer dados para os departamentos técnicos das cooperativas”, destacou.

Homenagem ao pesquisador

Na sequência do lançamento, Ruedell recebeu uma homenagem dos membros do conselho técnico de grãos da CCGL em razão do extenso e incansável trabalho realizado em prol da agricultura brasileira e gaúcha. O pesquisador é responsável por desenvolver importantes ideias e projetos com ênfase na conservação do solo e no desenvolvimento e implementação do sistema de plantio direto nas lavouras do país.


Crédito: Carolina Jardine

RTC é modelo para cooperativismo nacional


O modelo de integração proposto no Rio Grande do Sul pela Rede Técnica Cooperativa (RTC) servirá de inspiração para ações nacionais do setor cooperativista. A garantia é do presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Márcio Lopes de Freitas, que participou da abertura da 1ª Jornada da RTC, no Wish Serrano, em Gramado (RS), na noite dessa quarta-feira (5/6). Ao lado de lideranças do movimento nacional e falando a uma plateia de cerca de 650 técnicos e dirigentes do setor cooperativista, ele acredita que esse movimento, que inicia no Estado, vai revolucionar o campo de pesquisa do corpo técnico das cooperativas. “A ideia é fantástica. E, como já é de praxe, o Rio Grande do Sul esparrama sementes boas para o resto do Brasil”, pontuou.

Segundo Freitas, o grande salto da agropecuária brasileira se deu graças ao trabalho individual de pesquisadores, técnicos, produtores e curiosos. “O agronegócio é o sustentáculo da economia brasileira. Mas dá para fazer mais”, salientou, reforçando a ideia da criação de uma rede única como o que está sendo proposto no RS. “Essa é uma rede de intercâmbio humano. O diferencial do cooperativismo não está na soja, no milho ou no leite. O nosso diferencial é lidar com gente”, citou, pontuando que o sistema de integração vai ao encontro da disruptura que vem sendo apregoada pelas novas gerações. “O cooperativismo é o caminho da chamada Sociedade Y, da quarta revolução, de um modelo diferente de relacionamento”.

Anfitrião do encontro, o diretor-presidente da CCGL, Caio Vianna, confia no sucesso da RTC principalmente pelo respaldo que vem das pessoas que apoiam o projeto. “Temos certeza que vai ter um antes e depois dessa iniciativa. Porque essa é a maior força transformadora do campo. O Rio Grande do Sul é próspero em formar pessoas, exportar tecnologia e seus desbravadores”, ressaltou, lembrando que o objetivo final de todo esse trabalho não é apenas elevar produtividade, mas obter maior rentabilidade. Os ganhos que vêm desse compartilhamento também foram enaltecidos pelo presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias (FecoAgro/RS), Paulo Pires. “A rede vem levar ao produtor tecnologia para que ele possa ter mais renda. Juntas, as cooperativas podem e vão construir um mundo melhor para a razão de ser de nossos associados”, ressaltou.

O movimento de inovação das cooperativas foi referendado pelo secretário da Agricultura, Covatti Filho. Durante sua manifestação, reforçou a intenção em ser parceiro de novas iniciativas e prometeu apoio às ideias que fortaleçam a produção e a difusão de pesquisa. Covatti Filho ainda pontuou a necessidade que pesquisa e tecnologia sejam foco de políticas públicas, como o projeto que prevê de difusão de sinal de internet nas diferentes regiões do Rio Grande do Sul como uma forma de disseminar conhecimento. “Só tenho que agradecer porque ações como essa têm de ser louvadas, com a luta diária de cada um de vocês”, finalizou.

A 1ª Jornada da Rede Técnica Cooperativa tem o apoio da CCGL, Federação das Cooperativas Agropecuárias do RS (FecoAgro) e Sistema Ocergs-Sescoop/RS e patrocínio dos terminais Termasa/Tergrasa.


Crédito:  Vitorya Paulo

Agronegócio será alicerce da retomada do PIB

Com uma expectativa otimista para o desenvolvimento da economia brasileira que deve vir alicerçada pela força do agronegócio, o economista Luís Artur Nogueira ministrou a primeira palestra da 1ª Jornada da Rede Técnica Cooperativa na noite desta quarta-feira (5/06) em Gramado (RS). Com muito humor em uma apresentação recheada de interatividade e atualidade, o também jornalista traçou projeções para o país. A previsão é que a economia sustente expansão no governo Bolsonaro a taxas de 2% e 3% ao ano, que o dólar fique entre R$ 3,50 e R$ 4,50 e que o IPCA transite entre 3% e 4%. Contudo, alerta ele, esses resultados só devem vir com a aprovação da uma Reforma da Previdência consistente. Além disso, sugeriu que o reaquecimento da economia brasileira depende de corte das taxas de juros, incentivo às cooperativas de crédito, atualização da tabela de Imposto de Renda, retomada das obras públicas paralisadas e adoção de um sistema de refinanciamento da dívida pública das empresas.

Nogueira manifestou confiança na agenda econômica trilhada pelo ministro Paulo Guedes e reforçou a relevância da iniciativa privada para o desenvolvimento. “O Brasil é maior do que qualquer governo. O setor privado se cansou de esperar por soluções milagrosas, olhou para dentro para ganhar eficiência e investiu em inovação. O setor privado está mais preparado para esse novo ciclo de crescimento econômico”, salientou, citando como exemplo o projeto da RTC apresentado nesta 1ª Jornada da RTC.

Para sustentar a expansão da produção mesmo frente à crise comercial internacional criada pela disputa entre Estados Unidos e China, ele acredita que a demanda global por produtos do agronegócio continuará crescendo. Além da exportação de commodities, o Brasil pode ganhar agregando valor a seus produtos. Quanto ao setor cooperativista, lembrou que, juntas, as diferentes cooperativas podem fortalecer seu poder de barganha em negociações.

Contudo, alertou o economista, há riscos que podem impactar o cenário, como as imprevisíveis interferências do governo Donald Trump na economia mundial, a intervenção do Poder Judiciário no cenário nacional e a própria crise política. Entre os desafios à frente para as economias internacionais, pontuou o impacto da guerra comercial atual na própria economia chinesa, que enfrenta dificuldade para manter a taxa de crescimento de 6% ao ano. Também elencou como essenciais a busca do equilíbrio das contas públicas como forma de angariar investimentos e a retomada de consumo. “O agronegócio vai efetivamente brilhar, assim como o varejo”, sentenciou.


Crédito: Vitorya Paulo

Cooperativismo e inovação são essenciais para driblar incertezas econômicas no campo

Desafios e oportunidades para o agronegócio serão tema da palestra de abertura da 1ª Jornada Rede Técnica Cooperativa, em Gramado (RS)
Traçar o cenário político-econômico do Brasil e dos principais players globais e projetar o momento dessa conjuntura macroeconômica interna e externa sobre o agronegócio brasileiro. Analisar toda essa perspectiva será o desafio do economista Luís Artur Nogueira, responsável pela palestra de abertura da 1ª Jornada Rede Técnica Cooperativa (RTC), que acontece de 5 a 7 de junho, em Gramado (RS). Profissional especializado em mercado financeiro e colunista em grandes publicações do centro do país, Nogueira destaca que o assunto é de interesse geral do setor, uma vez que o agronegócio, por ser uma das âncoras da economia, sofre com os impactos e mudanças de ‘humor’ da política e da economia.

“Diversos fatores conjunturais afetam diretamente o segmento e pretendo mostrar na Jornada da RTC as oportunidades que o agronegócio deve abraçar em meio aos desafios econômicos”, afirma Nogueira.
A aposta na inovação e no cooperativismo vai além de tendência e se torna essencial para ganhos na atividade agrícola. “Vou mostrar que o fortalecimento de elos com cooperativas impede que o produtor fique isolado em sua atividade, tenha maior poder de barganha na hora de comprar insumos e vender a produção”, exemplifica Nogueira, pontuando apenas algumas das vantagens do cooperativismo na agricultura.

Na opinião do economista, o evento em Gramado se faz necessário por reunir grande força do agronegócio gaúcho no entendimento de questões importantes sobre os reflexos do cenário econômico sobre o setor. “O momento atual não está favorável, mas as perspectivas são positivas para o segundo semestre, desde que o governo consiga avançar na agenda econômica”, analisa Nogueira.
A 1ª Jornada da Rede Técnica Cooperativa tem o apoio da CCGL, Federação das Cooperativas Agropecuárias do RS (FecoAgro) e Sistema Ocergs-Sescoop/RS e patrocínio dos terminais Termasa/Tergrasa. O evento está com as inscrições abertas pelo site www.jornadartc.com.br.

Quem é a RTC
A Rede Técnica das Cooperativas (RTC) foi criada em 2018 congregando as áreas técnicas de pesquisa e mercado de 32 cooperativas agropecuárias gaúchas. Seu foco é criar um corpo de pesquisa integrado que dê suporte às cooperativas, otimizando custos e a aplicabilidade dos estudos desenvolvidos e permitindo a troca de ideias e compartilhamento de informações.

Programação

05 de Junho de 2019
18h00 Recepção
19h00 Abertura Oficial
19h30 Palestra Magna: O futuro econômico do Brasil e as oportunidades para o agronegócio
Luís Artur Nogueira
21h00 Coquetel

06 de Junho de 2019
08h00 Painel: Qualidade do solo visando sistemas de produção sustentáveis em Plantio Direto
Dr. João Carlos de Moráes Sá (UEPG)
Dr. Antônio Luis Santi (UFSM)
Moderador: José Ruedell
10h00 Lançamento do livro:
Resultados comparativos de 32 anos dos sistemas plantio direto e convencional
10h15 Coffee break
10h45 Palestra: Variabilidade climática e seus impactos na produtividade das culturas de soja e milho no sul do Brasil
Dr. Paulo Cesar Sentelhas (Esalq-USP)
Moderador: Jackson E. Fiorin (CCGL)
12h00 Almoço
14h00 Palestra: A Biotecnologia e as inovações que estarão impactando o agronegócio brasileiro e mundial nos próximos anos
Dr. Alexandre Nepomuceno (Embrapa Soja)
Moderador: Dr. Luiz Carlos Federizzi (UFRGS)
15h30 Coffee break
16h00 Painel: A integração de sistemas e os caminhos para a rentabilidade na produção de carne e leite
Dr. Paulo Carvalho (UFRGS)
Dr. Wagner B. Beskow (Transpondo)
Moderador: Me. Luis Otávio da Costa Lima (CCGL)
18h00 Painel político com autoridades convidadas

07 de Junho de 2019
08h00 Palestra: A logística de grãos por meio das ferrovias e os novos projetos para o RS
Daniel Rockenbach - Rumo Logística
Moderador: Me. Guillermo Dawson Jr. (CCGL)
09h00 Palestra: Como a inovação e as tecnologias digitais irão transformar o campo
Guilherme Novaes Procópio de Araujo - IBM
Moderador: Dr. Geomar Mateus Corassa (CCGL)
10h30 Coffee break
11h30 Painel: As políticas comerciais e o mercado de grãos frente a demanda mundial de alimentos
Flávio Bettarello - Secretário-Adjunto de Comércio e Relações Internacionais (MAPA)
André Pessoa (Agroconsult)
Moderador: Paulo César Pires (FecoAgro/RS)
13h00 Encerramento

Crédito da foto: Dionathan Santos

Compartilhando o saber

Caio Vianna*
A sociedade vive uma fase de compartilhamento. Basta olhar para os lados e verificar: certamente há alguém no seu alcance de visão com um celular em mãos enviando ou recebendo algum tipo de informação, enviando uma imagem ou apenas rindo de uma piada na rede social. O fato é que a tecnologia potencializou a integração entre pessoas, agilizou a troca de dados e, por mais contestações que se possa fazer sobre a profundidade dessas relações, é preciso compreender que vivemos na era do compartilhamento, tanto no âmbito das relações interpessoal quanto profissionais.

No entanto, no ambiente corporativo, ainda existe um abismo quando se fala em compartilhamento de estratégias ou de pesquisas. Apesar de ser normal ver muitas empresas convivendo nos chamados coworkings, projetos, experiências e pesquisas seguem trancados a sete chaves. Isso porque o empresariado brasileiro ainda não internalizou o conceito de compartilhamento tão difundido entre as novas gerações. Quando lidam com a concorrência, a maioria dos executivos ainda vê um rival voraz à frente sempre pronto para atacar seu mercado e uma fatia de seu lucro. Ledo engano.

Algumas das iniciativas mais exitosas no mundo estão atreladas ao ambiente cooperativo, onde grupos de empreendedores unem-se por um objetivo coletivo que, em alcançando o sucesso, logo adiante, elevará todos a um novo patamar. O conceito não é novo e está expresso no tradicional estudo de equilíbrio proposto pelo matemático norte americano John Nash ainda nos anos 40. Mas, se a história e economia já nos sinalizam que o bem de todos é o caminho para o sucesso individual, porque não exercitamos esse olhar colaborativo? A resposta a essa pergunta repousa na crença de que, na era da informação, “o segredo ainda é a alma do negócio” e que compartilhá-lo pode ser ameaçador. E muitas vezes o é. Mas nem sempre.

Felizmente, muita gente vem pensando diferente. Recentemente, um grupo de 32 cooperativas gaúchas decidiu mostrar que conhecimento pode, sim, ser compartilhado. Para isso criou a Rede Técnica Cooperativa(RTC), um centro de inteligência onde, juntos, integrantes do corpo técnico trabalham para buscar soluções para dilemas coletivos. A expectativa é que a iniciativa renda frutos concretos à produção agrícola gaúcha, uma vez que os cooperados envolvidos movimentam 50% da safra de grãos do Rio Grande do Sul. Alinhando esse trabalho, a RTC promove nos dias 5,6 e 7, em Gramado, sua primeira jornada técnica, um momento de reflexão e alinhamento para o futuro do agronegócio gaúcho. A meta é sinalizar para onde rumarão a agricultura e a pecuária e quais as melhores formas de produzir mais, melhor, obter a máxima produtividade e rentabilidade com o mínimo impacto ambiental. As respostas não são simples nem surgirão em um passe de mágica. O que é preciso ter em mente é que a solução não chegará antes que trabalhemos duro em sua direção. Um caminho que, sem dúvida, será bem mais curto se for percorrido de mãos dadas, integrando experiências de campo, pesquisa e investigação agrícola. E, mais do que isto, permitindo a aplicação e o acompanhamento dos resultados econômicos nas propriedades, o que assegura a manutenção dos produtores na atividade de forma competitiva e global.

* presidente da CCGL

Foto: Carolina Jardine

Especialista indica como minimizar efeitos do clima sobre a soja e o milho

Paulo Sentelhas, PhD em Agronomia e especialista em Agrometeorologia, será um dos destaques do evento que ocorre em Gramado
A seca é um dos eventos meteorológicos que causa maior impacto negativo na agricultura dos estados da Região Sul do Brasil. Somente no ano passado, o déficit hídrico das lavouras levou a um prejuízo estimado de R$ 385 milhões na produção da soja gaúcha e de R$ 757 milhões se contabilizadas as demais atividades agrícolas do Estado, segundo dados confirmados pela Emater. Reduzir os efeitos da variação climática no Sul do Brasil a partir da adoção de estratégias de manejo do solo é um dos grandes desafios impostos a agricultores que querem minimizar riscos e garantir maior produtividade no campo.

O tema será um dos destaques da 1ª Jornada Rede Técnica Cooperativa (RTC), evento que acontece em Gramado (RS) entre 5 e 7 de junho, com a participação de grandes nomes do agronegócio nacional. As dicas para reduzir os efeitos climáticos especialmente sobre as lavouras de milho e soja – que dominam o cenário na safra de verão – serão passadas pelo doutor em Agronomia e especialista em Agrometeorologia, professor da Faculdade de Agronomia da ESALQ/USP, Paulo Cesar Sentelhas. “A abordagem que se pretende é fazer com que o produtor consiga identificar o quanto das perdas ocorrem por práticas inadequadas de manejo e qual a participação das variações climáticas em eventos desse tipo”, destaca Sentelhas, especialista com passagem pela presidência da Federação Latinoamericana de Agrometeorologia. Ele ministrará o painel “Variabilidade climática e seus impactos nas produtividades das culturas da soja e do milho no sul do Brasil”, às 10h30min no dia 06/06, no Wish Serrano Resort.

Sentelhas falará sobre a adoção de práticas já confirmadas como aliadas do produtor na estratégia de driblar os efeitos do clima. No caso do Rio Grande do Sul, onde a estiagem se mostra o fenômeno mais frequente e severo sobre a agricultura, a identificação do perfil do solo é fundamental. “A escolha do material genético que será empregado na lavoura, o uso da irrigação e o tipo de adubo a ser aplicado interferem diretamente nos resultados de uma safra, se planejados antecipadamente ao evento meteorológico”, explica Sentelhas.

Segundo o coordenador de pesquisa da Rede Técnica Cooperativa, Geomar Corassa, o objetivo do evento é reunir as direções, departamentos técnicos e produtores cooperados para debater assuntos essenciais que assegurem desempenho inovador de mercado e ajudem a trilhar o futuro do movimento cooperativista. A 1ª Jornada da Rede Técnica Cooperativa tem o apoio da CCGL, Federação das Cooperativas Agropecuárias do RS (FecoAgro) e Sistema Ocergs-Sescoop/RS e patrocínio dos terminais Termasa/Tergrasa. O evento está com as inscrições abertas pelo site www.jornadartc.com.br.

Crédito da foto: Carolina Jardine

Rede Técnica Cooperativa promove jornada em Gramado

Criada para desenvolver e compartilhar o conhecimento entre cooperativas agropecuárias, a Rede Técnica Cooperativa (RTC) realiza nos próximos dias 5, 6 e 7 de junho sua primeira jornada técnica. O evento ocorrerá no Wish Serrano Resort, em Gramado (RS) e contará com a presença de palestrantes nacionais para falar de avanços tecnológicos e de mercado. Entre os nomes que participarão do debate estão o pesquisador da Embrapa Soja Alexandre Nepomuceno, o consultor da Agroconsult André Pessoa e o professor da Esalq/USP Paulo Sentelhas. Uma das apresentações mais esperadas é do executivo da IBM Guilherme Novaes Procópio de Araújo, que debaterá os caminhos da inovação tecnológica no campo.

Segundo o coordenador de pesquisa da Rede Técnica Cooperativa, Geomar Corassa, o objetivo é reunir as direções, departamentos técnicos e produtores cooperados para debater assuntos essenciais que assegurem desempenho inovador de mercado e ajudem a trilhar o futuro do movimento cooperativista. “A rede surge em um momento de amadurecimento e onde a troca de informação é essencial. Afinal, vivemos em um mundo onde as pessoas estão conectadas e o compartilhamento de informações, além de democratizar o conhecimento, eleva a acurácia dos dados coletados”, argumentou. Pensando nisso, a composição da programação do evento levou em conta os desafios e serem enfrentados nos próximos anos em diferentes áreas, como clima, biotecnologia, inovação tecnológica e mercado.

A 1ª Jornada da Rede Técnica Cooperativa tem o apoio da CCGL, Federação das Cooperativas Agropecuárias do RS (Fecoagro) e Sistema Ocergs-Sescoop/RS e patrocínio dos terminais Termasa/Tergrasa. O evento está com as inscrições abertas pelo site www.jornadartc.com.br.

Quem é a RTC

A Rede Técnica das Cooperativas (RTC) foi criada em 2018 congregando as áreas técnicas de pesquisa e mercado de 32 cooperativas agropecuárias gaúchas. Seu foco é criar um corpo de pesquisa integrado que dê suporte às cooperativas, otimizando custos e a aplicabilidade dos estudos desenvolvidos e permitindo a troca de ideias e compartilhamento de informações.

Crédito da foto: Geomar Mateus Corassa

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